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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

À VIDA



Família comemora o réveillon e retorna feliz e em segurança

Um ritual que renova e nos aquece para uma nova jornada.

Apesar das previsões de que o tempo não estaria firme e de que as estradas estariam congestionadas, João de Mello (51) e sua família tiveram uma virada de ano sensacional em Capão da Canoa. Antes de pegar a estrada, o motorista verificou todos os itens importantes para que se tenha uma viagem segura: calibrou os pneus, trocou o óleo, inspecionou os freios, os limpadores de pára-brisas e tudo o que recomenda o “manual” de sobrevivência no trânsito.

Mesmo habituado com o caos que acomete as estradas e rodovias nas grandes cidades, Mello guiou com cuidado redobrado a centena de quilômetros que o distanciava do litoral. Com cautela, realizou somente ultrapassagens em locais permitidos e com segurança. Segundo sua esposa, dona Maria (49), já é praxe tomarem todos esses cuidados, pois “nos mais de dez anos que cumprimos esse ritual, nunca nos envolvemos em acidentes e assim temos muito mais para comemorar com nossa família a cada virada de ano”, salienta.

Segundo os Mello, a maioria de seus amigos e conhecidos age da mesma forma, evitando assim, tornar-se mais um número das terríveis estatísticas publicadas a cada retorno de festas e feriados.

Sol, mar, a tradicional queima de fogos, brindes com espumante e os cumprimentos de um ano produtivo e com saúde, a família Mello retornou à casa alugada especialmente para a virada de ano, com o intuito de descansar, para logo após o almoço, retornarem à capital alegres e satisfeitos. E o melhor, vivos.

A chegada a Porto Alegre ocorreu da melhor forma possível. O clima estava ameno e as condições do trânsito bastante favoráveis.

Felizes, se preparam agora para 2012, que de acordo com a filha Marina (18), será de “prosperidade, amor, trabalho e paz, para que lá em dezembro possamos novamente cumprir esse ritual ta bacana que é celebrar a vida”. (texto fictício)

Fatos como esses acontecem todos os dias. Porém, jamais viram manchete de jornal ou televisão. São considerados banais, e tal qual a máxima que aprendemos na faculdade de que notícia é o “homem morder o cachorro” e não vice-versa, podem não interessar aos leitores e a quem as produza. Nossa mórbida sede por tragédias e eventos negativos faz com que os meios de comunicação deixem fatos rotineiros e saudáveis à margem. Ou talvez foram os “meios”, que por “sensacionalizar” esse tipo de acontecimento acabaram nos viciando em dar ibope às piores mazelas de nossa humanidade?

Por que não veicular também o “bom, o belo e o justo”? Estampar na capa de um matutino: “Milhares de pessoas retornam do litoral sãs e salvas e ninguém se envolve em acidentes”.

Lógico que nossa função é informar, alertar e prevenir. Porém, os saldos alarmantes que assistimos a cada feriado, que deveriam chocar e posteriormente causar uma prevenção, parecem que não surtiro o efeito necessário.

Bem, isso é apenas um desabafo. Só quero demonstrar, através dessas parcas palavras, que o contrário também acontece. Que a maioria das pessoas respeita e preserva. Que a VIDA se sobrepõe a morte morte. Só não dá primeira página, atualmente. E Infelizmente.

Desejo a todos uma virada de ano magnífica e que 2012 seja realmente próspero. Que tenhamos mais consciência daquele que está ao nosso lado e passa despercebido. Que pensamentos bons se transformem em ações melhores ainda. E que possamos, sempre, comemorar a VIDA em toda a sua plenitude. Abraço!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Minhas dicas (Caderno Lazer - 17/12/2011)

Woodstock – Pete Fornatale (2009) – Se você acredita em tele-transporte, por favor, leia! Narrando o festival através das palavras de quem tocou, de quem produziu e de quem assistiu ao ápice do rock’n’roll, na minha opinião, o autor nos transporta para aqueles três dias de paz, amor e música que mudaram a humanidade e são lembrados até hoje.



Os Sonhos Não Envelhecem – Histórias do Clube da Esquina – Márcio Borges – De forma culta e elegante, o filho nº 2 da família Borges discorre sobre a trajetória do movimento musical que mudou o panorama da MPB no final da década de 60, inicio de 70. Milton Nascimento, Beto Guedes e Lô Borges são apenas alguns que tem sua história narrada nessa edição comemorativa, relançada em 2010.


O Som do Vinil (Canal Brasil) – Um prato cheio pra quem curte boa música e a nostalgia dos discos de vinil. Apresentado e co-dirigido por Charles Gavin (ex-baterista do Titãs), o programa prioriza LP’s marcantes da música brasileira, onde entrevista autores, familiares e produção. Tudo isso na busca de detalhes técnicos das gravações e dos bastidores da cada trabalho. Detalhe: como o vinil, também é viciante.




Intimidade – Oswaldo Montenegro (2008) – Som Livre – DVD que traz 16 de suas canções mais conhecidas, agora rearranjadas pelo próprio Montenegro mais Sérgio Chiavazzoli e Alexandre Meu Rei. Destaco a canção “Sou uma criança, não entendo nada” de Erasmo Carlos e “Lume de Estrelas”. Com apenas amigos de espectadores, o trabalho foi gravado na sala de estar da casa do cantor.




Blues – Robert Crumb (2004) – O “the best” dos quadrinhos retrata histórias do estilo musical nascido nas fazendas de algodão do Mississipi e que influenciou grande parte das bandas de rock. O traço de Crumb faz a gente sentir vontade de entrar para dentro do livro. Diversas capas de discos, criadas pelo artista, também estão nessa “enciclopédia” do blues.




Abusado – O dono do Morro Santa Marta – Caco Barcelos (2004) – Essa reportagem escrita em forma de romance rendeu ao jornalista gaúcho o prêmio Jabuti, em 2004. Como sempre faz, genial e habitualmente, Caco remonta a história do tráfico de drogas no Rio de Janeiro, com destaque para a trajetória do traficante Marcinho VP. A forma com que o autor escreve transporta o leitor aos morros cariocas de tal forma, que não é difícil simpatizar com o anti-herói representado pelo marginal que cuidava com apuro de sua favela.




A Sociedade do Espetáculo – O Teatro Mágico (2011) – Mesmo avesso às gravadoras e exposições exageradas na mídia, esse grupo paulista tem visto sua fama crescer e as vendas de seus trabalhos (sempre independentes) seguirem no mesmo ritmo. Misturando música com circo e teatro, além de letras de conteúdo e engajadas politicamente, esse grupo nascido em Osasco é uma das raras e bem vindas novidades do mercado musical nacional.


Material publicado no Caderno Lazer do Jornal Informativo do Vale, em 17/12/2011.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Grande pessoa




"Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades
Rio, seu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito prá mim
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara..."
(Tom Jobim)


Esta canção composta por Tom Jobim talvez seja uma de minhas memórias mais antigas no que diz respeito à Música Popular Brasileira (MPB). Mesmo que fosse um garoto de calças curtas, como se dizia à época, a sonoridade dos vocais de ícones como MPB-4 e Quarteto em Cy já chamava minha atenção, mesmo que eu não soubesse porquê. E o mais engraçado disso é que só ouvia esse tipo de música num consultório dentário. Talvez por isso que a pessoa a quem eu quero homenagear aqui, seja para mim, sinônimo de bom gosto e sofisticação. Pessoal, profissional e musical.

Na sala de espera do ainda antigo consultório na esquina das ruas Venâncio Aires e Fernando Abott, essas canções que ora relembro talvez ajudassem a distrair o medo das temidas brocas e dos zunidos intermitentes que teimavam em ultrapassar as paredes do consultório do dr. Milton Stapenhorst.

Para mim, a liberdade de chamar de "tio" Milton. Não havia laço de parentesco, mas sim, da amizade dele para com meu pai, que lhe herdou os maçetes da Protética e que até hoje se mantêm.

Contei essa pequena história apenas para demonstrar como pequenas coisas ou pessoas ficam marcadas em nossa memória de forma tão especial e sem nos darmos conta.

Às vesperas de tornar-se um octagenário, "tio" Milton não é nada mais que um garoto ainda cheio de vida e vontade de trabalhar.

Sua idade não lhe pesa, tão leves são seus gestos e o eterno sorriso estampado na face

Colorado exemplar, me contou com orgulho, entre palpites para o final do brasileirão, que atende setenta clientes por semana. Isso mesmo: Setenta.

Só pode ser fruto da competência e constante atualização de um profissional que não tem medo de estar sempre aprendendo.

E olha que volta e meia nos deparamos com pessoas de 50 anos cansadas e implorando por uma aposentadoria sedentária

Além de tudo isso, é um magnífico contador de histórias. Segundo ele, todas verdadeiras. Mas um pouco de ficção sempre é bom pra temperar um bom conto, não é tio Milton! rsrsr

(Vai aí uma dica aos colegas da imprensa: que bela pauta renderia o dr. Milton, heim? Mexam-se!)

De forma simples, através dessas palavras, que ora despencam de minha memória, quero agradecer a essa pessoa que deveria servir de espelho para muitos. Que nunca se deixou abater por quaisquer adversidades (que sempre surgem e para todos) e cuja energia e alegria de viver são inspiradoras.

Tenho certeza que todos que o conhecem partilham do meu pensamento e que sua família deve estar extremamente orgulhosa de ter em casa uma pessoa desse gabarito e que hoje, 16/12, completa 55 anos de profissão.

Uma profissão que com toda certeza ele ama e veste 24 horas por dia. Enfim, um profissional que enobrece a Odontologia.

Parabéns, Dr. Milton Dario Stapenhorst. É muito bom conviver com pesssoas como o senhor.

Longa vida, "tio Milton"

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Muito obrigado!

Pessoal!
Quero agradecer de coração a presença de todos no X Petter'Abas realizado no sábado passado. Arrecadamos um bom número de brinquedos que serão doados no próximo sábado. A instituição que irá receber os brinquedos será divulgada durante a semana e publicaremos a foto da entrega assim que estiver disponível, para que vocês também tenham o registro de um momento que ajudaram a construir.
Da mesma forma, pedimos desculpas àqueles que, por falta de um pouco de estrutura, não puderam ficar bem instalados durante a apresentação.
Mas tenho a certeza que mesmo assim, valeu a noite. Agradável, alegre, recheada de boa música e iluminada pela Lua Cheia, como previsto.
Muito obrigado, um iluminado Natal e um próspero Ano Novo.
Um agradecimento especial aos nossos apoiadores: O Paladino Estrela, Dr. Fernando Rigo. Dr. Eduardo Bücker e Classe A Veículos.

Vocalize-se


Primorosa a apresentação do Coral Vocalize, na noite de ontem, na Igreja Evangélica de Estrela. Parece incrível, mas ainda não havia assistido a apresentação deste grupo, patrocinado pela Univates.
Do erudito ao popular, levaram o público pelo cancioneiro típico gaúcho, passearam pelo folclore alemão, festejaram os clássicos de Noel Rosa e Adoniram (com direito à mesa de bar e uma típica cerveja Polar), fora canções tradicionais de Natal.
Tudo isso no ambiente confortável e climatizado da igreja, que também recebeu uma produzida iluminação, além de neve artificial, fumaça de gelo seco e bolhas de sabão que pareciam vindas do céu.
Emocionante ver algumas pessoas, com idade mais avançada, estenderem o braço no intuito de tocar aquelas bolhas de sabão. Com certeza, naquele momento, o som mágico do coral transportou-as até a sua mais tenra infância. Infância onde simplicidades como essa ilustravam os primeiros capítulos de um livro ainda a ser escrito.

Muito bacana mesmo. Os cantores, que tem como técnica vocal a competente professora e também cantora Nice Porto e são regidos e ensaiados magistralmente por Maria Fernanda Giacomet dão uma aula de interpretação, tanto vocal quanto cênica.

Para mim, uma agradável surpresa. Sugiro a todos que prestigiem assim que oportunidade tiverem

Parabéns a todos que trabalham e apóiam esse projeto.



sábado, 10 de dezembro de 2011

Direito do consumidor


E-mail recebido em 10/12/2011. Realmente, um cursinho via CDL não iria nada mal.

"Tenho que lamentar o descaso ou despreparo do comércio de Lajeado, para mais esta data festiva que se aproxima. Ontem à tarde, necessitava comprar algumas peças de roupas, especialmente uma camiseta branca, pois a noite tinha um evento de confraternização de final de ano na empresa em que trabalho. Saí do trabalho por volta das 11 horas e 30 minutos, fui até a Loja Dullius da Rua Júlio de Castilhos e fui muito bem atendido, a vendedora prontamente se dispôs a fazer seu papel com muita atenção, dedicação e educação. Encontrei algumas coisas do que precisava nesta loja, mas ainda me faltavam outras. Havia outras tarefas para cumprir, desempenhei-as e por volta das 17 horas fui até a Loja Paludo também na Rua Júlio de Castilhos. Quando entrei, fui recebido com um “caloroso” “Oi” de uma das vendedoras, mas foi somente isto, ela não procurou saber por qual motivo eu estava ali. Fui até o setor de roupas masculinas, onde não fui recebido, eu mesmo fui até as prateleiras, escolhi minhas peças preferidas, as provei e decidi quais compraria. Enquanto isso observava que duas vendedoras conversavam sobre diversas coisas, entre estas a vida pessoal de outras pessoas. Dirigi-me até elas e pedi se poderiam encaminhar minhas compras até o caixa que fica em um andar oposto ao do setor onde eu estava. Uma delas prontamente fez a comanda com seu nome e pediu que eu me dirigisse até os caixas levando eu minhas próprias compras. Chegando neste setor fui prontamente atendido com rapidez pela operadora, porém ela, não estava preparada para desempenhar sua função. A moça esqueceu de tirar uma das etiquetas anti roubo de uma das peças compradas. Quando fui sair da loja me deparei com o alarme anti roubo, o segurança me pediu que eu retornasse ao caixa onde a moça teria que tirar a etiqueta que esqueceu, ele foi extremamente educado, porém algumas das vendedoras que não haviam se quer dado importância quando entrei no estabelecimento faziam cara de desprezo e uma delas chegou até a conferir minha sacola para ver se eu realmente não estava furtando. Fui até os caixas novamente, pois nenhuma delas se dispôs a fazer isto por mim, sendo que esta deveria ser a funções delas, atender ao cliente, e cancelei toda a compra feita, porém com uma espera de cerca de 30 minutos. O mais incrível é que a moça que me atendera bem na Loja Dullius era uma das funcionárias da Loja Paludo, no último natal, quando fui atendido com atenção, dedicação e educação. Alguns comércios da cidade estão perdendo sua credibilidade, sabe-se também do interesse em lucratividade, deixando que muitas vezes alguns detalhes importantes sejam esquecido. Tenho somente a lamentar pelo despreparo de alguns estabelecimentos do comércio local, muitas vezes até com a falta de mercadorias em suas prateleiras. A Câmara dos Dirigentes Lojistas local poderia se mobilizar para mostrar aos donos destas empresas a importância de se investir em treinamento. Já os donos das empresas poderiam deixar de pensar tanto em lucratividade e trabalhar para mudar as intenções de suas funcionárias, para que trabalhem com pessoas, sem distinção de cor ou classe social e que sejam mais atentas em suas funções. Se isto não ocorrer o comércio, peça chave da cidade de Lajeado, vai começar a perder seus princípios e os consumidores começarão a se dirigir a cidades vizinha, como Estrela, onde particularmente tenho sido muito bem atendido. Fica ai o desabafo de um cidadão incomodado com a falta de ética de alguns estabelecimentos locais."

Rafael Cunha

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Prosseguindo...


Parece incrível, mas não é. O Descaso com que uma empresa desse porte trata a população é de causar vergonha. Para ela, o fato de "exterminar" uma simples família de barreiros não merece sequer uma pausa para resposta. Um fato que ocorreu em 27/11 e que no mesmo dia teve protocolada uma queixa/denúncia no serviço de 0800 parece não ter a mínima importância para quem propaga políticas socioambientais em seu site. Nem mesmo a pessoa que fez a queixa recebeu qualquer retorno, mesmo passadas quase 2 semanas.
Quando se fala no descrédito que o país e suas instituições atravessam, muitos dizem ser exagero. Mas por atitudes como essas percebemos que a coisa é até pior do que pintam. Infelizmente.


Diante da solicitação de mais dados, me foi passado que o fato ocorreu no dia 27/11, na Rua Andreas Goellner, no bairro Boa União/Estrela, num serviço de trocas de postes. Um morador indignado entrou em contato com o órgão competente do município, após o ocorrido.
Este compareceu ao local, deu o devido destino aos animais e protocolou queixa no 0800 da empresa.

Abaixo, registro fotográfico dos pequenos barreiros

Da mesma forma, repassei esses dados para a AES Sul e coloquei o blog à disposição, caso queiram fazer o contraponto ou manifestar a opinião da empresa.

Conforme contato, também acredito que não seja prática usual da empresa, e que o fato isolado possa vá ser corrigido, evitando assim, maiores danos ambientais e indignação da população.

Na íntegra, clique aqui.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Valores distorcidos

Dia desses, lendo uma entrevista com o secretário de segurança do Rio de Janeiro, delegado José Mariano Beltrame, chamou-me a atenção um dito por ele citado: “Quando morrer, serei obrigado a doar minhas córneas, pois precisarei de mais de uma vida para ver tudo”. Conhecia de uma forma um pouco diferente: “Vou morrer e não vou ver tudo”.

Independentemente do modo com que foi escrita, o significado e o objetivo da frase são bastante claros. Seriam necessárias várias encarnações para que pudéssemos ver todos os absurdos que acontecem diariamente.

E, como a leitura se enquadra num modo de “ver”, os absurdos que são escritos e publicados também merecem mais de uma vida para serem totalmente percebidos.

Refiro-me a um texto publicado numa revista de uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, estado onde o grau de intelectualidade é seguidamente comemorado como um dos mais elevados do país.

O texto tenta fazer uma associação entre família e moda. Menciona o fato de que “estar” e “andar” entre os seus familiares é a bola da vez. Para isso basta ver o frisson que os astros de Hollywood causam na mídia ao circularem pelo planeta com as suas proles.

Até aí, um tanto compreensível. Porém, se pegarmos Brad Pitt e Angelina Jolie, por exemplo, que, por força da profissão pouco conseguem parar em casa, nada mais justo do que ter os filhos a acompanhá-los, não é?

E não seria esse um motivo para colocar a “instituição” família em voga.

Ou, antes dessa constatação não existia amor entre pais, irmãos, avós, primos? Não havia prazer em conviver com os seus e manifestar esse carinho?

Só quem nunca teve família.

Mas o pior está por vir.

Como mencionei a moda lá no início, a autora faz referência a um blog especializado em deixar a família toda com “looks super fashion”. E recomenda que esta se vista com apuro, pois isso é sinônimo de família “saudável”. Incrível constatação.

Até tenta argumentar que andar bem-vestido não é sinônimo de roupas caras e do momento, mas a frase que reproduzo abaixo, ipsis litteris, considero deveras infeliz:

“Andar bem vestido é sinônimo de saúde, de amor e de valores”.

Se assim fosse, os políticos corruptos seriam as melhores pessoas do país, tendo seus valores em mais alta conta.

Enquanto isso, aqueles miseráveis que estatisticamente vivem com míseros dólares diários, sabemos que não são saudáveis. Pudera, sem renda e com mínima ajuda do Estado, é difícil manter-se de pé.

Sabemos também que suas vestimentas geralmente condizem com o estado de seu bolso, quando o tem. Apesar de geralmente rotos e maltrapilhos, tenho certeza de que seus valores não são reduzidos. Muito pelo contrário. Geralmente são mais corretos e honestos do que aqueles que vestem o tênis com amortecedor, a camisa listrada e o boné do ídolo do futebol. Por aí, a premissa apontada já se esvai.

A não ser que os “valores” citados sejam os da conta bancária. Posso ter entendido mal, já que o texto está emoldurado por anúncios de lojas de roupas. Pode ser...

Chego à conclusão de que nem em épocas festivas como agora, as natalinas, o SER suplanta o TER. Infelizmente.

Pobre pode não ter saúde ou tê-la pouco. Mas amor e bons valores, isso tem. Ah, se tem.

Pobre é usar argumentos que pouco sustentam a arte de vender.

O comércio e quem nele trabalha não merecem.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Lamentável...






Lamentável...
Hoje a tarde (03/12), presenciei uma cena triste e que demonstra onde chegou o grau de individualismo e desrespeito ao nosso semelhante.
Indo de Estrela para Lajeado, sentado no banco do caroneiro, observo algo rolando no asfalto em meio aos carros que passavam. Ao longe era semelhante a um pedaço de lona preta (estava sem óculos).
De repente, em meio a confusão, se ergue uma pessoa, de capacete, transtornada e aparentemente perdida, no meio do asfalto. Era um motoqueiro que sem mais nem menos foi abalroado por um motorista de uma Hillux verde. Esse motoqueiro teve a maior sorte do mundo de não ser atropelado pelos carros que dele desviaram ou em caso pior, por uma uma carreta que por sorte não passava naquele momento.
O motorista da Hillux?
Hahahaha! Sumiu-se. Fugiu. Covarde.
Ou talvez fosse uma desses motoristas que, do alto de suas conta bancária e sua máquina potente, se acha imune aos rigores da lei e faz o que bem entende com a vida dos outros.
Paramos para a judar o rapaz, que atônito, ainda se encontrava no meio do asfalto, perdido e ao lado de sua moto. Tentamos diminuir o ritmo do trânsito para que motorista e veículo pudessem ser colocados no acostamento. Sem muito sucesso. Parece que ninguém se importa mais com o semelhante, não estão nem aí.
Gente, o que é isso?
Nem mesmo numa época em que se reflete o ano que passou, as coisas boas que fizemos ou que ainda podemos fazer...
Será que o "espírito do natal" se resume a vitrines de lojas, casa enfeitadas com luzes e a tão tradicional ceia que no fundo disfarça uma vidinha falsa e medíocre, com objetivos falsos, uma família falsa, uma aparência falsa? Tudo falso.
Parece que tudo está ao contrário e Raul cantava certo: "Pare o mundo que eu quero descer!"Se admira uma pessoa que tem um carro do ano, que veste roupas de grife e frequenta lugares caros e vazios. E são essas pessoas, que muitas vezes exibem suas "belas ações, seu bom coração, sua idoneidade e o seus sucesso e status" pelas redes sociais que provocam situações como essa que relatei. Devem pensar: "Tenho grana, sou bonito, tenho tudo e quem eu quiser. Portanto, quem mandou esse mané cruzar o meu caminho com sua motoquinha chinfrim? Que se dane".
Triste. Muito triste. Pobre do rapaz, que a esta hora mal deve estar conseguindo uma posição confortável para descansar, já que a única parte que não ficou em "carne viva" foi a cabeça, salva pelo capacete.
A humanidade está decadente.
Mas pelo menos Deus, não. Ele, pelo visto, estava muito alerta.
O motoqueiro que o diga, já que ganhou de presente de Natal uma nova data para comemorar o seu aniversário.
O seu renascimento.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Utilidade Pública


Fármacia de Arroio do Meio(RS) necessita urgente de farmacêutico.
Você, profissional que está a procura de uma oportunidade ou recém saiu da faculdade e está atrás do 1º emprego,
entre em contato pelo telefone nº (51)3716.1681

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Falsas políticas ambientais?


Vamos começar de novo.
É, pois eu estava escrevendo sobre más ações da AES Sul e adivinhe: acabou a luz.
Deve ser o Big Brother de Orwell de olho em mim.
Vamos lá.
Lamento que não havia ninguém no local para fotografar ou filmar a cena. Funcionários da concessionária elétrica que nos atende, no intuito, presumo, de cumprimento do dever, simplesmente lançaram ao chão a casinha de um João-de-barro e terminaram com a habitação e a vida de 4 filhotinhos que sequer penas tinham.
Isso tudo sob a insistência de um morador em proteger os bichinhos. Lógico que esse cidadão e talvez mais algumas pessoas denunciaram a atitude nada "profissional" desses profissionais e principalmente a falta de humanidade deles. Uma queixa foi protocolada junto ao 0800 da empresa e gostaria que pelo menos ela tivesse a hombridade de, publicamente, manifestar-se sobre o ocorrido.
É até compreensível que muitas vezes as casinhas estejam em locais que possam causar danos maiores à população e que seja necessário retirá-las.
Mas por favor, uma empresa que tem em seu site um link que trata justamente de RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL, deveria ter no mínimo profissionais habilitados a retirar e realocar os animais que estejam causando algum "transtorno". Ou que pelo menos aplicasse treinamentos àqueles que trabalham nesse tipo de serviço. Agora, chegar na maior, derrubar, matar e deixar o seu rastro de maldade exposto pra todo mundo ver, é demais.
Repito a frase de Alexandre Garcia, em palestra diante dos pequenos alunos do Ceat e que deveria servir de exemplo: "Meu avô ensinava que não deveríamos nem tirar uma folha de uma árvore, pois no futuro poderíamos não ter sombra. O que falta hoje é cidadania, respeito com a sua cidade, com o próximo, com o seu local de trabalho."
Pensem nisso.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Educação Ambiental


“Penso que a educação ambiental talvez seja uma das mais poderosas armas, ou melhor, ferramentas disponíveis para a salvação de nosso planeta.
É um trabalho que começou pequeno, devagar e com objetivos à longo prazo.
E segue um ciclo de vida parecido com o de uma árvore.
Foi plantada, germinou e agora começa a crescer e apesar de jovem, floresce e dá os primeiros frutos.
Tenho certeza que em idade adulta saberá manter-se viva e forte.
E como toda boa árvore, ao partir, deixará suas raízes fincadas e suas sementes espalhadas por esse planeta que tão bem nos acolhe”.
(Marcelo Petter)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Participe!!!

Final de semana reservado aos bichinhos: DESCO Super&Atacado promove II Feira de Adoção Pet

Que o convívio com animais de estimação traz inúmeros benefícios para as pessoas não é novidade para ninguém, não é mesmo?. Por acreditar nisso e em defesa dos animais abandonados, o Desco Super & Atacado realiza no próximo sábado, 26/11, em parceria com a Monello e a AEPA, sua II Feira de Adoção Pet.

Àqueles que estão em busca de uma companhia de quatro patas podem visitar o DESCO, neste sábado, a partir das 9h e escolher um focinho carente para adotar. Filhotes de cães, de gatos e cachorros adultos estarão em busca de um novo lar!

Vale lembrar que a I edição da Feira, realizada no mês de agosto, foi muito satisfatória: Vinte cãezinhos adotados. “Foi muito bom sentir as pessoas sensibilizadas, ajudando os animais carentes”, comemorou Elisa, Coordenadora da AEPA.

Então anota na agenda: dia 26/11, a partir das 9h, no estacionamento do DESCO (Av. Senador Alberto Pasqualini, 659), II FEIRA DE ADOÇÃO PET DESCO!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Alguém tem que fazer alguma coisa.

Texto de Martha Medeiros publicado na ZH de 20/11/2011 - Brilhante e extremamente pertinente.


Faz muitos anos. Eu estava assistindo a um show do Living Colour, som pesado que fazia tremer as paredes de um pequeno ginásio da cidade. Guitarras, sonzeira, mal dava para se falar com a pessoa ao lado.

Foi quando resolvi dar uma espiada na tal pessoa ao lado: era uma mulher com um bebê de colo que não deveria ter mais do que quatro meses. Fiquei maluca. O que aquela criança fazia em meio a uma poluição sonora que era atordoante até para adultos?

Sem falar que na época se fumava à vontade em ambientes fechados. Não resisti e, entre uma música e outra, perguntei: você acha que esse é um local adequado para um bebê? Ela poderia ter me mandado longe, já que eu estava me metendo onde não devia, mas foi educada e respondeu que sabia que não, porém ela era muito fã do Living Colour e não tinha quem pudesse ficar em casa cuidando da sua filhinha. Respondi: que tal você mesma?

Ela me deu as costas e trocou de lugar.

Essa história me veio à lembrança depois que li no blog de uma leitora um caso semelhante. Ela e a mãe estavam passando de carro por uma rua, quando viram um senhor de cabelos brancos ajoelhado junto à sua bicicleta, tentando consertá-la. As duas viram a cena e ficaram com pena do homem. Comentaram: “Coitado, alguém tem que ajudá-lo”. Rodaram mais uns metros e então frearam bruscamente. “Ora, por que não nós?”

Deram meia-volta e descobriram que o senhor de cabelos brancos não era tão senhor, e sim um rapaz precocemente grisalho, e que ele estava com quase tudo já resolvido. Recusou a ajuda, agradeceu a gentileza e ofertou às duas seu melhor sorriso. O sorriso de quem sabe que pode contar com alguém, seja esse alguém quem for.

Alguém. Uma entidade a quem confiamos a solução de todos os nossos problemas. Alguém tem que dar um jeito no país. Alguém tem que mandar arrumar a máquina da lavar. Alguém tem que pensar no futuro das crianças. Alguém tem que se mexer, alguém tem que providenciar, alguém tem que ver o que está acontecendo. Mas como ele fará isso por você, sendo alguém tão ocupado?

Na hora de falar, nos anunciamos como muito capazes, mas quando a teoria necessita ser posta em prática, somos os primeiros a transferir responsabilidades. Talvez porque preservamos uma certa arrogância de senhor do engenho, que acredita que o servilismo de seus criados é que faz a roda do mundo girar.

Talvez por egoísmo: para que sujar minhas mãos se outro pode fazer o mesmo? Talvez tenha a ver com pouca autoestima: canto de galo, mas no fundo não presto para nada. Seja o motivo que for, estamos sempre esperando que Alguém se apresente para a tarefa que julgamos não ser nossa. Abrimos mão do protagonismo em prol de uma coadjuvância acomodada e maléfica para a sociedade.

Pois é, e agora? Alguém tem que fazer alguma coisa.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Abduzido da Sala Verde

Em resposta ao post anterior, um tanto desalentador, desejo compartilhar a história abaixo que nos transmite esperança num mundo melhor.
Penso que a educação ambiental talvez seja uma das mais poderosas armas, ou melhor, ferramentas disponíveis para a salvação de nosso planeta.
Foi um trabalho que começou pequeno, devagar e com objetivos à longo prazo.
E vejam só o resultado: crianças preocupadas em manter o nosso planeta limpo, verde e habitável.
A Educação Ambiental segue um ciclo de vida parecido com o de uma árvore. Foi plantada, germinou e agora começa a crescer e apesar de jovem, floresce e dá os primeiros frutos. Tenho certeza que em idade adulta saberá manter-se viva e forte. E como toda boa árvore, ao partir, deixará suas raízes fincadas e suas sementes espalhadas por esse planeta que tão bem nos acolhe.

Parabéns aos pequenos do CEAT, aos professores, à Sala Verde e a todos que, mesmo sendo minoria(por enquanto), alimentam a fonte da vida.
É só curtir o texto abaixo, da Camila Hasan, da Sala Verde.

Da história à árvore, da ideia à ação!

Os alunos da turma do 1ª ano do CEAT/Lajeado realizaram nesta manhã o plantio de uma árvore no pátio da escola, acompanhados pela Professora Léa Gehlen e pelas biólogas da Sala Verde Ângela M. Schossler e Regiane H. Mallmann.
O interesse pelo plantio surgiu quando o aluno Théo trouxe para a sala de aula a história do ABC da Vida. No momento em que conversaram sobre a leitura ouvida, tiveram a ideia de realizar o plantio de uma árvore, o primeiro elemento da natureza que foi apresentado no texto.
Como tiveram curiosidade em saber mais sobre as árvores, o aluno Luis Gabriel sugeriu que conversassem com um biólogo... E para contribuir com esse grande elo de educação, aprendizagem e ação, a Sala Verde se fez presente realizando o plantio juntamente com os alunos.
Conheça o texto que motivou a turma a realizar esta ação:

O ABC da Vida
Berenice Gehlen Adams

Devemos amar e respeitar...
a ÁRVORE que dá sombra, que dá frutos.
a BALEIA que vive a nadar pelo mar.
a CACHOEIRA que vive a vida a correr.
o DINOSSAURO que viveu há milhões de anos atrás...
a ECOLOGIA que é a ciência que estuda a vida.
a FIGUEIRA que é uma árvore frondosa e faceira.
a GIRAFA que é pescoçuda como uma garrafa.
o HIPOPÓTAMO que é pesado e gosta de água.
o ÍNDIO que vive em aldeias na mata.
o JACARÉ que rasteja devagar e sabe nadar.
a LARANJA que guarda um suco saboroso.
o MAR que é imenso e tem água salgada.
a NATUREZA que nos encanta com sua beleza.
o OZÔNIO que protege a Terra.
o PLANETA que vive a vida a girar.
o QUATI que tem a cauda comprida com anéis de pêlos pretos.
o RIO que corre para o mar como quem vai se atrasar.
a SELVA que é um lugar habitado por animais selvagens.
a TERRA que é o planeta em que vivemos.
o UNIVERSO que é onde existem planetas, estrelas, asteróides.
o VENTO que é o ar em movimento.
o XAXIM que é planta que tem o tronco formado por raízes.
E ZELAR pelo nosso amado Planeta Terra.





É...

Abaixo, texto publicado no Jornal Informativo de 18/11/2011, pelo leitor Luiz Fernando Foletto.
Hei de concordar com ele. Penso estarmos adentrando numa época já tão bem explorada nos apocalípticos filmes hollywoodianos. Se num "Mad Max" os humanos se digladiavam por água, hoje pessoas concorrem pelo lixo.
Creio que a água será o próximo filão a ser disputado profetizando assim, a 7ª arte.
Resta saber o que os roteiristas criarão ao fim de tudo. Pois vontade mundial em em "retroceder" a um mundo melhor, pouco tenho visto.
Muito menos sentido.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Nosso belo ciclo...

Mais história...com Valmir Pezzini


Thales e Conjunto Melódico

Em meados dos anos 60, esse grupo brilhava nos palcos de Guaporé e região, com repertório variado e de ótima qualidade.
Com o passar do tempo, todos os músicos foram migrando para outros segmentos, atrás de crescimento profissional e maior rentabilidade financeira. Isso porque, mesmo gostando muito do que faziam, naquela época os cachês eram parcos, quase simbólicos. Tudo era bem distante dos valores vultuosos e da pirotecnia de hoje.
A garota que aparece na foto, Jumara Pinto, menteve vivos os sonhos daquela época dourada e quase 50 anos depois, em 2010, gravou o CD abaixo num estúdio em Guaporé.


by Valmir Pezzini

Baita recado do TJ!


Quer saber mais da banda? Acessa Banda Made in Brazil

Aos amigos de Floripa (e aos de férias, também!)

Parabéns Imigrante!

Parabéns ao município de Imigrante e ao Projeto Amigos da Leitura pelo Prêmio Fato Literário! Quiçá os demais municípios do estado e brasileiros sigam o exemplo e implementem ideias semelhantes! Olha que não é difícil, não!
Secretários de Cultura, por favor, tomem a frente e cumpram "literalmente", também, suas funções.
"Realizado no pequeno município de Imigrante, distante 136 quilômetros de Porto Alegre, o projeto Amigos da Leitura, aproxima crianças e trabalhadores de empresas locais em torno de uma causa nobre: a literatura. As crianças são os agentes que levam os livros até as empresas. A cada visita, cerca de 30 livros são emprestados."
(extraído de Zero Hora)

Secretários Charles e Ernani representando município

sábado, 12 de novembro de 2011

Blog da Sala Verde

Sugestão de blog àqueles que além da boa música amam a natureza e o que ela nos proporciona: Sala Verde de Estrela
Repleto de matérias super interessantes e que dizem respeito às açoes realizadas aqui,no nosso município de Estrela. Tomei a liberdade de compartilhar um post que achei super bacana sobre um animalzinho que constantemente avistamos por aqui (muitas vezes atropelado) e que por falta de informação é muitas vezes discriminado e maltratado. O texto foi(muito bem)escrito por Camila Hasan e espero que sirva de esclarecimento àqueles que tiverem o privilégio de cruzar com esse "rapaz" por aí.

Ouriço-cacheiro (Sphiggurus villosus)


Na tarde de 09/11 nossa equipe foi chamada por um morador do bairro Alto da Bronze que estava surpreso com a visita de um ouriço-cacheiro (Sphiggurus villosus) em sua residência. Esse animal habita florestas tropicais e florestas do bioma mata atlântica, ocorrendo portanto, com frequência, nas matas de nossa região.
Em função da redução dos habitats desses animais, é comum que estes acabem adentrando as cidades e muitas vezes as residências das pessoas, o que para muitos é algo indesejável.
Neste sentido, aproveitamos a ocasião para informar que este animal não é feroz. Apesar de apresentar espinhos em seu corpo, o ouriço-cacheiro é um bicho manso, que se adapta a diferentes ambientes inclusive com a presença de pessoas.


É mentira que o ouriço joga os espinhos nas pessoas. Ele só tenta assustar quem o ameaça, arrepiando os espinhos. Os predadores se machucam é quando tentam morder o ouriço, porque os espetinhos, finos e penetrantes, fixam-se no inimigo e são difíceis de sair, tanto que é comum encontrar cachorros e mesmo onças com o focinho cheio de espinhos de ouriço. Neste sentido, para evitar que seu cachorro se machuque, mantenha-o dentro de seu pátio, pois quando constatada a presença do cão dificilmente o ouriço se arrisca a disputar território com ele.
Percebendo a aproximação do ouriço, não há a necessidade de machucá-lo com auxílio de objetos, é melhor deixá-lo a vontade que provavelmente ele voltará para o lugar de onde veio.
O ouriço às vezes é confundido com o porco-espinho, que vive no chão, mas não existe no Brasil. Ao contrário do porco-espinho, o ouriço-cacheiro quase nunca desce ao chão, porque seu alimento, frutas e brotinhos, ele encontra na copa da floresta e, como as frutas são muito hidratadas, esse animal não precisa sequer beber água, retira a que precisa do próprio alimento.
O animal capturado cuidadosamente pela nossa equipe, foi solto na Unidade de Conservação Parque das Figueiras, a fim de que se ambiente com o local e encontre as condições necessárias para sua sobrevivência.
Em caso de dúvidas entre em contato conosco pelo fone (51) 3981 1043.


Fontes Consultadas:
http://www.alumiar.com/educacao/41-mundoanimal/369-ouricocacheiro.html
http://www.ucs.br/ucs/zoo/plantel/mamiferos/ourico_cacheiro

terça-feira, 8 de novembro de 2011


Nos bailes da vida

Um simples meio-fio de calçada na esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis, no bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte, é até hoje um dos clubes mais consolidados do país. Sua estrutura, porém, não é feita de paredes, salões e ambientes sofisticados. É feita sim, e principalmente, da amizade, da música e dos sonhos que ligavam um grupo de garotos nos já distantes anos 60.

O edifício Levy, em Belo Horizonte, reduto da família Borges, foi o cenário onde essa amizade e cumplicidade musical nasceu. Naquele apartamento, o já tímido Bituca (Milton Nascimento) entrava pra família de D.Maricota e seu Salomão como o 12º filho da família. Isso, graças a forte amizade que tinha com os irmãos Márcio e Marilton.

O “quarto dos homens” foi o palco para as primeiras investidas daqueles garotos que desde cedo já liam Marx, Sartre, Simone de Beauvoir, Nietzsche e admiravam o cinema de Truffaut. O pequeno Lô, na época ainda um menino de calças curtas, foi despertado pelas melodias inovadoras e pela voz “celestial” de Milton Nascimento. Não demorou muito para que o menino apresentasse as suas próprias composições. Eles ainda não sabiam, mas estavam formando o embrião de um movimento musical que transformaria o panorama da Música Popular Brasileira: o Clube da Esquina.

Milton Nascimento, Lô e Márcio Borges já fazem parte do imaginário coletivo quando o assunto é amizade, confraria, MPB e Minas Gerais. E a turma não se resumia aos três. O “bando” de cabeças pensantes que passou pelo desenvolvimento de país, pela ditadura militar, a abertura política e a tão sonhada democracia tinha também Fernando Brant, Ronaldo Bastos, Beto Guedes, Tavinho Moura, Flávio Venturini e Toninho Horta. Isso sem falar nas importantes contribuições de Wagner Tiso, Luiz Carlos Sá e Gutemberg Guarabyra e daquela que praticamente lançou a música mineira e promovia a rapaziada, a gaúcha Elis Regina.

Essas e muitas outras histórias foram passadas para o papel pelas mãos do competente letrista e grande parceiro de Milton Nascimento, Márcio Borges. De forma culta e elegante, o filho nº 2 da família Borges discorre sobre a infância, juventude e as aventuras e desventuras vividas pelos “membros” originais do clube. “Os sonhos não envelhecem – Histórias do Clube da Esquina”(Geração Editorial, 2010) faz jus ao título de forma categórica e demonstra que os ideais que moveram aquela geração de músicos e compositores ainda são o combustível que os mantêm ativos e cada vez mais criativos.

Uma das parcerias mais fecundas música brasileira, como destaca Márcio, foi entre Milton Nascimento e Fernando Brant. Foi numa daquelas tardes regadas a violão e batidas de limão no bar do Maletta, que Fernando Brant entregou sua primeira composição, feita em cima de uma música de Milton. Nascia ali a primeira das mais de duzentas letras em parceria com Bituca: Travessia, 2º lugar no Festival Internacional da Canção Popular de 1967, realizado no Rio de Janeiro.

“Quando você foi embora fez-se noite em meu viver
Forte eu sou mas não tem jeito, hoje eu tenho que chorar

Minha casa não é minha, e nem é meu este lugar
Estou só e não resisto, muito tenho prá falar”

Brant foi também o responsável e condutor de outras aventuras dos mineiros. À bordo de um jipe Land Rover 1951, a troupe experimentava o sabor da liberdade e da amizade através das ladeiras de Beagá e das montanhas que circundam a capital mineira. O parceiro de quatro rodas, de tão estimado, ganhou nome e virou música: “Manuel, o audaz”, composição de Toninho Horta e Fernando Brant. Apesar de Brant não admitir, Toninho conta que o amigo costumava tirar o volante do jipe e guardá-lo sob o travesseiro. Até que um dia, ao chegar em casa, o jipe não estava mais lá. Ao tentar roubá-lo, mesmo sem capota e volante, o meliante acabou colidindo numa árvore e encerrando assim, a audaciosa carreira do nobre Manuel. Lendas das Gerais.

Inspiradora foi também a criação de outro clássico do Clube. “Para Lennon e McCartney” nasceu durante uma das macarronadas domingueiras da família Borges. Na sala de piano, Lô apresentava ao seu irmão Márcio e ao amigo Fernando, uma melodia que acabara de compor. O garoto se disse inspirado em John e Paul, que recém haviam anunciado o fim dos Beatles e em outras parcerias que, referenciadas pelos rapazes de Liverpool, faziam a sua música com alma e coração, mesmo sabendo que seus inspiradores jamais as ouviriam.

“Eu sou da América do Sul
Eu sei, vocês não vão saber
Mas agora sou cowboy
Sou do ouro, eu sou vocês
Sou do mundo, sou Minas Gerais”

Da união desses músicos, nasceram dois clássicos da MPB, Clube da Esquina (1972) e Clube da Esquina 2 (1978). Canções como “Clube da Esquina nº 2”, “Manuel, o audaz”, “Todo azul do mar”, “Tudo que você podia ser” e “Paisagem da Janela” catapultaram a carreira da maioria dos integrantes do “clube” e formaram parcerias que nos emocionam até hoje. O “trem azul”, que partiu do Ed. Levy e passou pela famosa esquina ganhou o mundo e deixou a sua marca gravada na história. Cabe salientar que esse movimento nunca morreu. Pode até se apagar vez ou outra. Porém, sempre haverá alguém, músico ou fã que mesmo “com a roupa encharcada e a alma repleta de chão” afirmará que “todo artista tem de ir aonde o povo está” e que “cantando se disfarça e não se cansa de viver nem de cantar”.

Matéria publicada no Jornal Opa, em 07/11/2011